Archive | abril 2012

2º Ciclo de debates: Cultura e Sabotagem

O bom rap contamina, atinge a maioria
Vê isso na periferia, pode crer que vira, vira, vira
Arrisca, petisca, è nós na fita!.” — Cachorro Louco no Freestyle, do rapper Sabotage.

Hoje, depois da reunião geral do OcupaRio, foi realizado o encontro da OcupaTeoria, uma iniciativa associada ao GT Teoria.

Na sequência do sucesso do primeiro ciclo de debates “A Constituição do Comum”, com três encontros no IFCS (“Representação”, “Identidade” e “Propriedade”), ao longo de fevereiro e março, e um quarto geralzão na praça da Cinelândia, em 31 de março; a OcupaTeoria lança agora o ciclo “Cultura e Sabotagem“.

O campo da cultura que nos interessa não pode ser pensado e realizado de modo separado à produção política e econômica. Essa força imanente se articula em culturas de resistência, e se diferencia incessantemente ao sistema vigente das maneiras mais disseminadas, transversais, produtivas e potentes, perturbando-o, subvertendo-o. A cultura como resistência não se resume à diversidade e à diversão. Põe em movimento a invenção de imaginários políticos, deslocamentos identitários, febres arte-ativistas, e novas formas de gerar e se relacionar. A cultura que nos interessa deve se manter sempre em estado de fluidez e recriação, evitando as capturas e as reconfigurações interesseiras. É preciso confabular mundos no limiar do existente, produzir subjetividade e colocar em xeque as estratégias de dominação, controle e exploração. Já existe um movimento de sabotagem social permanente, que emerge das ruas, praças e quebradas, dos teatros de rua e dos desvios criativos, das ocupações do real e do virtual, onde tantas pessoas sonham e constroem elas mesmas um novo corpo de desejos e singularidades.  O movimento Occupy também é uma cultura de resistência, de sabotagem e pirateamento do sistema.

Foram definidos os três momentos do novo ciclo, com a presença de movimentos, coletivos, grupos, estudantes, militantes, curiosos, precários, ativistas, ocupantes e todo tipo de indignado desejante, qualquer um que quiser contribuir e debater:

1. Crise, cultura e captura. Os novos movimentos de produção e organização política através da cultura. Crise do capitalismo, crise cultural. Culturas de resistência ao trabalho e à exploração. Resistir é afirmar diferença e produzir diferente. Pré-agendado para a semana do 7 de maio, local a confirmar.

2. Ética hacker. Os novos movimentos de resistência na internet. Hackeamento como forma ampla de ativismo. Resistir é sabotar a lógica dominante. Pré-agendado para a semana do 21 de maio, local a confirmar.

3. Loucu(ltu)ras: a produção do outro. Saúde mental revolucionária. Teatro de rua, estética da fome, esquizoanálise, alteridade radical e macumba brasileira contra a cabeça do colonizado, dentro e fora do Brasil. Produções de subjetividades. Resistir é se tornar o que não se é. Pré-agendado para a semana do 4 de junho, local a confirmar.

Em breve, mais informações. Para participar da organização, basta entrar em contato no grupo aberto do Facebook “OcupaRio – Teoria”, mediante comentário neste post ou via e-mail em ocupario@gmail.com

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Foto: Wagner de Almeida.

Revolução Global – Marcha a Madrid e a Bruxelas

Há pouco, subimos aqui para download a Revista “Rebelem-se”, em espanhol (em breve, versão em português. Tradução em andamento), com experiências e projetos em andamento para uma sociedade autogerida. Iniciativa do coletivo espanhol Afinidad Rebelde, que se encontra desde outubro de 2011.

Agora segue link para vídeo no youtube da Marcha a Madrid e a Bruxelas. Uma experiência mais emotiva e com discursos mais utópicos tão importantes quanto, pois é preciso sonhar e organizar nosso tempo para nos encontrar de fato, cara a cara, compartilhar experiências, ideias, nos conhecer e propor ações.

Para legendar em português, fiquem à vontade:

Senhor: “Este movimento espontâneo e popular, não influenciado por nenhuma organização política, mas oferecendo os impulsos de nosso coração coletivo e nacional, decidimos levar a frente essas marchas de todos os pontos periféricos de Espanha com a intenção de nos juntarmos em Madrid e de mostrar coletivamente nossa repulsa e nossa condenação ao estado de coisas que esse sistema horrível permite a uns sem vergonhas chamados capitalistas lucrem do esforço dos trabalhadores.

Podemos criar nossas próprias leis se todos participamos. Podemos fazer leis justas e democráticas que acabem com a pobreza, que acabe com a extrema pobreza e com a precaridade. Se queremos, podemos. Hoje sonhamos que podemos, caramba, e amanhã podemos com o apoio e ajuda de vocês.”

Mulher: “A partir deste momento e dos próximos dias continuamos a mudar nossa realidade ao compartilhar nossas experiências e idéias. Bem-vindas, bem-vindos, estávamos esperando vocês. Hoje o sol volta a brilhar mais forte que jamais brilhou.”

Cartaz escrito: “Marcha Popular a Bruxelas. Vamos lentamente, pois vamos longe.”

Homem: “A marcha que veio a Madrid não acaba em Madrid. Segue a Bruxelas.”

Revista “Rebelaos” – E você ainda crê que necessitamos do Estado?

Em 15 de março saiu em castelhano a publicação “Rebelaos” (Rebelem-se). Uma publicação on-line feita em colaboração com ferramentas livres 2.0, lançada também impressa com 500.000 cópias financiadas via plataforma de financiamento de multidão (Crowdfunding) e micro-mecenato. Uma iniciativa do coletivo espanhol Afinidade Rebelde, que se reúne desde outubro de 2011.

Logo na capa, a revista traz a provocação que norteia seu conteúdo: “você ainda crê que necessitamos do Estado? Descubra como podemos autogerir nossas vidas!”


Publicación REBELAOS
 Clique para baixar

Indispensável para quem deseja conhecer algumas alternativas que estão se movendo na sombra do espetáculo dos meios de comunicação de massa. Muito além de sonhos ou delírios utópicos, as informações e conteúdos incluídos na publicação são iniciatvas e realidades que já estão em andamento.

Esta publicação linkada está em espanhol. Já editaram também versões em catalão e euskadi (país Basco). Atualmente estão preparando uma versão traduzida para o português.

A revista nos foi enviada por Maty, companheiro que participou do 15M espanhol em Barcelona e do Ocupa Rio Cinelândia entre outubro e novembro de 2011.

Leiam e compartilhem à vontade!

Saúde e boa leitura!

E seguimos … que os caminhos se fazem ao andar.

4º debate Ocupa Teoria, fechando o ciclo e CHAMADO para novo ciclo!

O Ocupa Rio não é um grupo, movimento orgânico ou um coletivo, mas o encontro produtivo de pessoas, coletivos, movimentos e desejos por uma sociedade livre, múltipla, igualitária nos acessos e vozes políticas! Em nosso encontro, o Ocupa Rio acontece!

No sábado 14.04, todos ao vão livre do MAM para reunião aberta de organização do próximo ciclo de debates! A partir das 15:30, tragam suas ideias, observações e sugestões de assuntos, dinâmicas e locais para darmos sequência ao próximo ciclo de Debates Ocupa Teoria!  Nos encontraremos próximo ao chão de pedras, logo após a parte coberta do vão do MAM (aterro do Flamengo).

O primeiro ciclo de debates Ocupa Teoria terminou brilhantemente no sábado 31.03.2012, na praça da Cinelândia, com tarde e noite repletas de atividades. O desafio não era pequeno, visto as experiências do Ocupa Rio em praça aberta e suas dinâmicas peculiares que sempre atravessam a sobriedade dos planejamentos cartesianos. Por isso outros 3 debates com chamado público acesso livre haviam sido concentrados em sala do IFCS, para poder se avançar nos temas e preparar o terreno para o dia na praça. O plano era abrir às 15h com o tema Representação (“Não nos representam”), passando ao tema identidade às 17h e Propriedade às 19h, entretanto, os temas se misturaram e os debates fluíram com franqueza e liberdade a partir de colocações sobre feminismo e questões de gênero. Durante toda a tarde, com alguns intervalos curtos, caminhou-se pelo tema dos Anonymous, identidade, Rio+20, Plenária dos Movimentos Sociais, contradições da noção de P.I.B. verde, mercantilização da natureza, geração de energia, entre outros temas.

A noite terminou com shows e performances ovacionadas do grupo AnarkoFunk, com letras sátiras políticas sobre músicas pop, como “Milícia, milícia, assim você me mata…”, e o aclamado ska-reggae da banda Coquetel Acapulco. Ao fim das bandas, os microfones ficaram aberto para improvisações espontâneas de letras, poesias, e sátiras acompanhadas por jam sessions entre as bandas, batuqueiros improvisados e até um sanfoneiro, estendendo a programação até próximo de meia-noite.

Agora é hora de pensar um novo ciclo, sugerir temas novos, aprofundar questões de temas do primeiro ciclo, mudar ou aperfeiçoar dinâmicas, produzir e lançar publicações coletivas!

Nos vemos no sábado 14.04, às 15:30h, no vão livre do MAM!